terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Santander fecha WebCasas

Santander fecha WebCasas


O WebCasas, portal de venda de imóveis controlado pelo Santander, sairá do ar no domingo, 01 de janeiro. 

Santander não vai mais ajudar a vender imóveis. Foto: flickr.com/photos/black_wall

A empresa comunicou aos clientes com anúncios ativos sobre o final das operações em um e-mail enviado na sexta-feira, 12, ao qual a reportagem do Baguete teve acesso. A página do Facebook, com 45 mil seguidores, já não é atualizada desde o começo do mês.
Procurado pela reportagem do Baguete, o Santander confirmou por meio de nota o fechamento do WebCasas.
O banco disse que o mercado imobiliário é "estratégico" mas as iniciativas na Internet voltadas ao segmento "possuem uma dinâmica bem específica e players bem consolidados".
(Ainda em abril de 2013, o Santander vendeu 30% de seu portal de classificados automotivos, o Webmotors para o grupo australiano Carsales.com por R$ 180 milhões, em outra movimentação para diminuir seu investimento online).
O banco espanhol entrou no e-commerce de móveis em 2010, com aquisição do WebCasas. A meta era aumentar a carteira de financiamento imobiliário facilitando o fechamento de negócios para imobiliárias e incorporadoras. 
No final de 2013, o WebCasas tinha atuação principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com ênfase nas capitais. A meta então era crescer nas demais regiões.
Na época, em uma entrevista ao Valor Econômico, um executivo do banco revelou que eram fechados cerca de 30 a 40 financiamentos mensais na plataforma.
Outros números divulgados foram 4,5 mil imobiliárias cadastradas, 750 mil imóveis anunciados e 4 milhões de visualizações/mês.
Na sua nota, o Santander disse que o foco a partir de agora será em promover os negócios na área imobiliária por meio de "melhorias na atividade fim" como revisar e "simplificar o formulário de contratação e reduzir o prazo para finalizar as transações".
O banco afirma que obteve uma alta de 30% nos financiamentos nos últimos trimestres, sem informar um exatamente o período ao qual se refere.
Como reconhece o próprio Santander na sua nota, a concorrência de sites especializados é forte. Nos últimos anos, os competidores foram cacifados por fundos.
O portal de imóveis Viva Real recebeu em outubro R$ 100 milhões do fundo americano Spark Capital, aumentando o total arrecadado nos cinco anos desde a sua fundação para R$ 270 milhões. O faturamento estimado para 2015 é R$ 50 milhões, quase três vezes superior a 2013. 
Incluindo a sede em São Paulo, a empresa está presente em 14 cidades - todas as capitais do Sudeste e Sul; Brasília e Goiânia, no Centro-Oeste; e Salvador, Recife e Fortaleza, no Nordeste.
O Imovelweb, um dos principais concorrentes do VivaReal, também tem dinheiro de fundos (US$ 30 milhões da Riverwood Capital e do Tiger Global Management) e está comprando: adquiriu o portal de imóveis do Paraná, o Imóveis Curitiba, e a empresa de software e tecnologia ImovelPRO, com sede em Santa Catarina. 
Em setembro, a Imovelweb adquiriu o WImoveis, principal portal imobiliário do Distrito Federal, que fatura R$ 10 milhões por ano e detém cerca de 90% do mercado brasiliense. Em julho, comprou a ImóvelClass, empresa de Porto Alegre que trabalha com publicidade focada no mercado imobiliário. 
Outros players cujo negócio principal não é vender imóveis online também sentiram o cutuco e estão de saída.
O poderoso grupo de comunicação gaúcho RBS vendeu o Pense Imóveis para o Zap Imóveis, braço de vendas imobiliárias do Grupo Globo, que está investindo em ferramentas de Big Data para ter uma oferta competitiva.
Além da concorrência, o mercado já não é o que era. As vendas de imóveis novos na capital paulista caíram 55,4% em outubro na comparação anual, a 963 unidades, no segundo pior mês do ano, segundo dados do Secovi-SP. Em relação a setembro, o recuo foi de 65,4%.
O sindicato, que reúne construtores, alegou que os resultados foram pressionados pelas eleições (os resultados em meses anteriores foram pressionados pela Copa), mas, em um panorama geral de desaquecimento da economia para 2015, talvez o Santander decidiu não acreditar.

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